Senador Valadares diz que governo Temer é “fraco e cambaleante”

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O senador Antônio Carlos Valadares, líder da bancada do PSB no Senado e ex-aliado do presidente Michel Temer,, publica artigo externando sua posição com relação a greve nacional dos caminhoneiros em protesto ao preço abusivo dos combustíveis.. No artigo, ele se refere ao governo Temer  como “governo fraco, cambaleante, sem estratégia para agir”.
Veja o texto:
A greve dos caminhoneiros conseguiu paralisar praticamente o Brasil e provou aquilo que já sabíamos: estamos diante de um governo fraco, cambaleante, sem estratégia para agir com previsibilidade e rapidez antes que o clarão da crise apontasse no horizonte.
O governo subestimou o movimento de protesto dos caminhoneiros, deixando que a situação se agravasse. A tal ponto que, não apenas o sistema de abastecimento de combustível entrou em colapso, como as gôndolas dos supermercados, farmácias, o comércio de um modo geral, os correios e a aviação sentiram de imediato o impacto da greve.
A nova política de preços da Petrobras alinhada ao dólar, pela forma como a moeda tem oscilado nos últimos dias, sempre para cima, era mais do que previsível. Não haveria fôlego para se sustentar essa política sem o surgimento de protestos.
O governo, diante de sua insensibilidade para o social, sequer previu que essa onda de aumentos sucessivos no preço dos combustíveis, de mais de 120 vezes em apenas 180 dias, poderia provocar movimentos como esse: os caminhoneiros detêm o poder da logística de levar a todos os rincões do Brasil quase tudo que atende aos consumidores, inclusive o diesel e a gasolina, cujos preços em altíssimo patamar, conduziram a esse impasse da greve.
Aumentos de combustíveis muito acima da inflação – raiz do inconformismo de transportadores e consumidores-, mostram a imprevidência de um governo cujo sentimento se volta apenas para o lucro desmedido, em obediência cega às exigências mercado.
E a nossa maior empresa estatal, a Petrobras, através de sua atual direção, foi contaminada por esse espírito de subserviência perante a figura sinistra, invisível e poderosa, que é o mercado.
A revolta dos caminhoneiros traduz também, quer queira ou não o governo, a insatisfação de todos os segmentos sociais do Brasil com os rumos de sua política econômica.
Os brasileiros que se sentem explorados e injustiçados por sua alta cúpula de dirigentes, encabeçada pelo presidente Michel Temer, incorporam-se voluntariamente a esse movimento e se incluem no slogan que ganha corpo em todo o Brasil “somos todos caminhoneiros. ”
Resta demonstrado que, quando o povo se une em torno de uma causa, um governo que se mostra insensível em suas decisões, pode causar reações fortes, até mesmo parar o País.
O governo a todo custo procurará desvencilhar-se do problema apontando outras razões para a crise. Entre elas, a desavença dos EUA com o Irã (que provocou o aumento do preço do barril de petróleo) e a alta dos juros decretada pelo FED (Banco Central Americano).
A equipe econômica prega que esses são os ingredientes que alimentam nas nações do Terceiro Mundo uma escalada de preços na indústria do petróleo, com reflexos em todos os setores da economia, inclusive no setor dos transportes.
A inflação que parecia estar contida, certamente começará a mostrar seus tentáculos malignos nos próximos meses, caso o governo não tenha mais o poder de implementar medidas para conter os aumentos. Isso porque,  com uma menor oferta para atender a demanda, o mercado se sentirá suficientemente forte para impor uma remarcação dos preços de seus produtos.
A atual crise de desabastecimento que se abateu sobre o nosso País, determinando uma paralisação, antes nunca vista, em quase todos os ramos da economia, bem que poderia ser evitada se o governo federal tivesse mostrado alguma capacidade de avaliação da crise e se adiantado, usando os instrumentos válidos da negociação e da persuasão.
É o que acontece quase sempre com um governo em fase terminal, que nunca obteve credibilidade para se fortalecer, e se deixou afundar em graves denúncias de corrupção.
Agora é trabalhar para que a crise possa ser pelo menos atenuada, e que não se estenda para outros setores vitais de nossa economia, produzindo o retorno da escalada inflacionária, com mais sofrimento e mais desemprego para o povo brasileiro.
No Senado Federal tudo farei para fortalecer a luta justa e legítima dos caminhoneiros, e a de todos aqueles que se identificam com essa causa.
Da assessoria

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