Seminário debate desafios da educação em tempos de crise democrática

0

Assistentes sociais, psicólogos, estudantes, educadores e representantes de movimentos sociais prestigiam o Seminário “Educação Brasileira em tempos de crise democrática” para debater os principais desafios da educação ante o cenário de retrocessos no campo dos direitos sociais, trabalhistas e de retração de políticas públicas. Realizado pelos Conselhos Regional de Serviço Social e de Psicologia, o evento aconteceu nesta quinta-feira, 20, na Faculdade Maurício de Nassau.

A mesa de abertura foi reflexo da diversidade de atores sociais presentes no evento, que contou com a participação de representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e da Faculdade Maurício de Nassau, além dos realizadores do evento: CRESS/SE e CRP 19.

A presidente do CRESS/SE, Itanamara Guedes, explica que o seminário tem, entre outros objetivos, o de fomentar a discussão sobre a importância de debater a interseção das áreas da educação, psicologia e serviço social. Para ela, é um desafio discutir a educação no Brasil, na conjuntura em que vivemos, marcada pelo desmonte da educação pública, pela Lei da Mordaça, que tira a autonomia do professor, e da reforma do ensino médio, que retira dos currículos disciplinas fundamentais para a formação cidadã do estudante.

A escola é um espaço de convivência social e de formação, numa perspectiva cidadã, ou seja, de formar pessoas para questionar, intervir e ser um sujeito político. Portanto, trazer o assistente social e o psicólogo para a escola vai fortalecer esta perspectiva de uma educação crítica. O CRESS/SE quer se somar aos demais trabalhadores da educação no Estado de Sergipe nessa luta pela melhoria da educação”, apontou Itanamara.

Ela explica que o debate acerca da inserção do/a assistente social e do/a psicólogo/a na política de educação é antigo. “Desde o início dos anos 2000, o Conselho Federal de Serviço Social já vinha fazendo esta discussão. Existe um Projeto de Lei tramitando na Câmara dos Deputados sobre o tema. Em alguns estados e municípios, já existe esta inserção. Em Aracaju, foi aprovado no ano passado um Projeto de Lei e já está em processo de inserção na rede municipal da nossa capital, mas ainda não está institucionalizado na rede pública estadual de ensino”, contou.

Diálogo necessário

Em sua palestra, o professor da rede estadual por mais de 30 anos e vereador de Aracaju Iran Barbosa apontou que as escolas são os equipamentos públicos mais presentes na vida das pessoas e que a inserção dos profissionais de Serviço Social e Psicologia na política de educação ajudará a identificar, prevenir e enfrentar casos de violações de direitos na comunidade escolar. “O diálogo entre a educação, a psicologia e o Serviço Social na escola é imperativo, especialmente no momento atual, em que diversos direitos são negados. Existem desafios muito sérios na escola que torna necessário este diálogo”, defendeu Iran.

Para a assistente social e professora doutora da UFBA, Adriana Ferriz, a escola é o laboratório ‘privilegiado’ das expressões das questão social. “Quem quiser entender o conceito de questão social, vivencie a escola. A violência e a exclusão que estão na sociedade, no bairro, vão refletir na escola. Isso justifica a urgência da inserção do Assistente Social na educação básica”, argumentou, complementando que há uma aproximação teórica e prática entre estes dois campos estratégicos, devido ao caráter educativo do trabalho desempenhado pelo assistente social.

Em sua palestra, Adriana fez um breve resgate da relação entre educação e Serviço Social, e apontou instrumentos que regulamentam a inserção dos profissionais de serviço social na política de educação. Ela fez ainda uma análise sobre a atuação destes profissionais na educação em sua diversidade: Educação básica, superior, tecnológica e profissional, do campo, indígena, quilombola, etc.

Ao apontar a amplitude do trabalho desempenhado pelos psicólogos na política de educação, especialmente na rede básica, a psicóloga e professora doutora do curso de psicologia da Faculdade Estácio Sergipe, Milena Aragão, desmistificou a ideia de que estes profissionais estão voltados apenas para os estudantes tachados de “problemáticos”.

O trabalho não pode ser voltado apenas para os estudantes que tem problemas de aprendizagem”, resumiu, destacando que bullying, violência, discriminação de gênero e orientação sexual na escola, violência sexual, são alguns dos aspectos que podem ser prevenidos e enfrentados com a ajuda dos psicólogos nas escolas.

Mesmo sendo entusiasta da proposta, Iran Barbosa chamou a atenção para o fato de que não se pode negar o papel e a contribuição do professores no processo educativo. “A inserção dos psicólogos e assistentes sociais na escola precisa ser feita sem nunca perder de vista o papel dos educadores, que muitas vezes sozinhos e mesmo com condições precárias de trabalho, tem contribuído com o desenvolvimento da educação pública”, destacou.

Grupos de Trabalho

No turno da tarde, a programação do seminário teve início com uma mesa redonda formada pelos coordenadores de Grupos de Discussão, profissionais de serviço social e psicologia que apresentaram os principais desafios vivenciados por eles na atuação de diversos segmentos da educação: Educação básica, educação do campo, ensino superior e educação profissional e tecnológica.

Deste momento, participaram a Assistente Social da Secretaria de Estado da Agricultura e professora doutora da UFS, Magaly Nunes de Gois; a assistente social e professora doutora da UFBA, Adriana Ferriz; o assistente social da UFS e presidente do SINTUFS, Fábio Santos; a assistente social do IFS, Ingredi Palmieri; a assistente social do colégio Arquidiocesano, Joelma Santos; e a psicóloga e hipnoterapeuta, Renata Aragão.

Da assessoria

Deixe Uma Resposta