População deve ficar atenta aos focos de Aedes aegypti após as chuvas

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O período chuvoso é uma época do ano que causa preocupação, sobretudo para a saúde, e não é somente pelas viroses, gripes e resfriados comuns da mudança climática, mas, principalmente, pela maior incidência de acúmulo de água capaz de se transformar em foco da proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. A Prefeitura de Aracaju, através do  Plano de Intensificação das Ações de Combate ao mosquito Aedes aegypti, coordenado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), trabalha de forma intersetorial as ações de combate ao mosquito, mas, alerta a população sobre os cuidados nesta época do ano em que as chuvas são recorrentes.

De acordo com o gerente do Programa Municipal de Combate ao Aedes aegypti (PMCA), Jeferson Santana, o aumento da preocupação se dá pela rápida proliferação do mosquito. “Quando a chuva cai, é muito comum vermos recipientes acumulando a água dessa chuva e isso é muito perigoso. Como nós não temos um tempo, de fato, frio, muitas das vezes, como predominância do clima de Aracaju, a chuva passa e, quase imediatamente, vêm o sol e o calor. Essa mistura de chuva e calor é propícia ao surgimento de mais mosquitos. Quando as pessoas deixam recipientes sem os devidos cuidados, os mosquitos depositam os ovos, os quais entram em contato com a água e proliferam. Quando o tempo está mais frio, a larva se transforma em mosquito adulto entre 15 e 20 dias, mas, quando está mais quente, em sete dias já temos um mosquito adulto”, explicou.

Desde o final do mês passado, após uma determinação do prefeito Edvaldo Nogueira, a Prefeitura, por meio de diversos órgãos e secretarias municipais, executa o Plano de Intensificação. Dentro dele, foram estabelecidas cerca de 20 diretrizes, entre elas a designação de duas equipes de agentes durante a noite, das 19h às 22h, para visitar casas que estavam fechadas durante o dia; visitação de todas as escolas para eliminação dos focos; trabalho de campo aos sábados; aplicação do fumacê costal; realização do Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) a cada dois meses, como recomendado pelo Ministério da Saúde; realização de mutirões de limpeza; monitoramento quinzenal estratégico dos pontos de proliferação; entre outras. Trabalho executado durante todo o ano pela Prefeitura, mas reforçado através deste plano.

Mesmo com a efetivação dessas diretrizes, o gerente do PMCA destacou que, ainda que o poder público faça a sua parte, a população tem papel fundamental no combate ao mosquito. “Mais de 80% dos focos do mosquito estão dentro das residências, então a população precisa ter consciência do seu papel. Estamos intensificando os mutirões, principalmente nos bairros em que foram identificados mais casos de doenças ligadas ao mosquito, mas, não adianta a Prefeitura limpar os locais, fazer a manutenção dessa limpeza, se os moradores continuarem a descartar lixo incorretamente ou deixar acumular água nos recipientes sem os devidos cuidados. Para combater o mosquito, é preciso uma parceria entre a população e a gestão pública”, ressaltou Jeferson Santana.

O gerente ainda frisou os maiores cuidados que a população deve ter neste momento. “Não deixar água parada, verificar seus quintais, eliminar qualquer deposito de água limpa. A gente pede ao morador que, semanalmente, vá nos quintais, verifique como está a situação, e não deixe nada com água parada”, salientou.

Vírus mais potente

Em meados deste mês, a SMS divulgou os dados do 4º Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de 2019. O índice de infestação na capital sergipana foi de 2,6, número considerado como de médio risco para o aparecimento de epidemias. Ainda que não exista um alto risco, Jeferson Santana alertou sobre um aspecto que chama atenção. O surgimento das doenças transmitidas pelo Aedes possui comportamento periódico. “Já foi confirmada a presença do vírus Tipo 2 da dengue, que é uma forma mais agressiva da doença. Esse mesmo vírus foi o que circulou em Aracaju, quando houve a epidemia, em 2008. O que ocorre é que, quem não esteve exposto ao vírus naquela época, está mais vulnerável a ele hoje. Por isso, estamos vendo tantos casos com crianças de 0 a 14 anos”, destacou.

Em 2019, foi registrado aumento dos casos de dengue em Aracaju, assim como em todo o estado. Já foram computadas oito mortes pela doença em Sergipe. “A Prefeitura não fecha os olhos para o que é preciso fazer, mas reforçamos a necessidade da população se manter atenta e que mantenha os cuidados. Esperamos que as pessoas possam se mobilizar mais para que possamos evitar que surjam mais mosquitos e, consequentemente, mais casos das doenças ligadas a ele”, completou Jeferson Santana.

Fonte/PMA

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