Pastor Roberto Morais repudia pronunciamento de Lucimara Passos

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Pastor“Cada um faz do corpo o que quiser. Mas não queira vir de encontro à família”. Baseado nos conceitos cristãos, o vereador Pastor Roberto Morais (SD) usou a tribuna da Câmara Municipal de Aracaju, durante sessão desta terça-feira, 1, para repudiar o pronunciamento da também vereadora Lucimara Passos (PCdoB), que defendeu mais uma vez o conceito de “ideologia de gênero”.

O tema já havia sido amplamente discutido durante votação do Projeto de Lei 84/2015 que institui o Plano Municipal de Educação (PME) em junho desse ano. Na ocasião, a matéria foi aprovada com a supressão do item que versava sobre a “ideologia de gênero”, ponto que gerou grande polêmica e divergência entre vereadores. Inclusive, representantes de todos os segmentos envolvidos estiveram presentes na CMA para defender os respectivos pontos de vista.

No entanto, a vereadora Lucimara Passos trouxe o tema novamente à tona e, durante o Grande Expediente, o Pastor Roberto se opôs ao discurso da parlamentar que alegou que as igrejas erram e, que, por isso, não podem criticar o movimento GLBT. “A igreja errou e erra. Em alguns momentos da história os erros são inquestionáveis. Mas dizer que a igreja só tem errado ao longo dos anos, eu discordo. A igreja também tem realizado grandes trabalhos de recuperação de vidas, de tratamento de pessoas sem adquirir, tampouco requerer, nada do Estado. E isso ninguém vê”, argumentou o Pastor Roberto.

O vereador lembrou também que, na ocasião dos debates sobre o assunto, alguns vereadores não se manifestaram na presença dos representantes da igreja católica, como Dom Lessa, por exemplo, que se fez presente. “Pelo contrário. Balançavam a cabeça em sinal de concordância e, apenas quando eles saíram, se colocaram favoráveis à ideologia de gênero e, consequentemente, contrários ao que os representantes católicos estavam falando”, lembrou Roberto Morais.

Ainda sobre o tema, o Pastor Roberto ressaltou que durante a Parada Gay ocorrida na Orla da Atalaia, em Aracaju, no último domingo, 30, nem a igreja católica nem a evangélica se pronunciaram contra. “Tinha dinheiro público ali. Mas não houve qualquer tipo de manifestação contrária. Isso é respeito”, declarou o vereador. “Respeitar a opção sexual em uma escola, não é, na minha visão, tratar sobre esse assunto. Isso é a vida particular de cada um. Deixar de tratar não é nenhum desrespeito”, continuou Roberto Morais, em resposta ao pronunciamento da colega vereadora.

Apartes
Em aparte, o vereador Dr. Agnaldo, parabeniza o discurso do Pastor Roberto e reafirma sobre a presença de representantes de todas as classes discutissem sobre o tema. “Isso mostrou que estávamos abertos à diálogos. E a maioria, de forma sensata, decidiu que o ensino fundamental não é o local para discutir sobre esse tema. Ele é assunto de família”, acrescentou Agnaldo.

O Pastor Roberto Morais disse ainda que acredita na existência de uma dádiva diária dada por Deus – para quem acredita nele -, aos pais para ensinar aos filhos a forma como deve proceder diante de todas as áreas da vida. “O Estado não tem o direito de intervir”, opinou o parlamentar.

O vereador Iran Barbosa (PT) disse que foi importante a Casa receber e ouvir todos os representantes dos setores interessados no assunto na ocasião do debate, em junho, mas falou que acha um equívoco reduzir o debate sobre o Plano Nacional de Educação apenas ao que se refere à ideologia de gênero. “Esse debate precisa ser na escola e, independentemente de estar ou não no Plano, os professores desse País continuarão discutindo isso nas escolas”, assegurou Iran. Ele falou também sobre falhas nas igrejas. “Igrejas são feitas por homens e mulheres que erram o tempo inteiro. No passado e hoje. Tem pessoas boas e ruins”, pontuou.

Em resposta, Roberto Morais enalteceu as competências do colega vereador Iran, concordou com o ponto em que realmente as administrações das igrejas falharam e continuam falhando. Mas que prefere crer que as igrejas têm se manifestado reproduzindo o som de boa parte da sociedade brasileira, que chegam aos templos discordando de posicionamentos do governo. “O professor não pode discordar em sala de aula com o posicionamento que os pais passam para os filhos”, afirmou.

A vereadora Daniela Fortes (PR), também em aparte, parabenizou o discurso do Pastor Roberto e disse que o que tem que ser debatido nas escolas é a violência e as drogas que estão entrando em sala de aula, por exemplo. “O dever de orientar os filhos é unicamente dos pais. Esse papel é da família. Acho um absurdo a ideia do MEC de implantar o ‘kit gay’ nas escolas. As pessoas são livres e nós respeitamos as escolhas, agora, querer, a qualquer custo, orientar os nossos filhos é demais”, declarou Daniela.

O Pastor Roberto Morais afirmou que não gostaria de estar requentando esse assunto. Ele afirmou que entende que a máxima do tema deve estar em torno da família. “A questão não é a nossa vontade. Cada um faz do seu corpo o que quiser, mas não queira vir de encontro a instituição mais antiga do mundo. Opção sexual é outra coisa”, enfatizou o vereador.

O vereador Valdir Santos (PTdoB) também se posicionou a favor da visão do Pastor Roberto. “Cada um deve educar os seus filhos da maneira que achar correto. Nem padre nem pastor vai invadir a família de ninguém para dizer como as coisas devem ser. Bem como os professores”, declarou Valdir.

Jailton Santana (PSC) disse que a Ideologia de Gênero é uma agressividade, uma atitude perversa. “Jamais os parlamentos devem concordar com isso. Querer induzir as crianças, que muitas vezes, são indefesas, iria fomentar a pedofilia. Parabenizo a Assembleia Legislativa porque teve apenas um voto a favor desse projeto. E nossa postura aqui na Câmara foi primordial para isso”, afirmou.

O vereador Agamenon Sobral (PP) enfatizou que professor tem que ir para a sala de aula para ensinar as disciplinas e não entrar no mérito da sexualidade da criança. “Deve prevalecer as leis de Deus”, afirmou. Emmanuel Nascimento (PT) parabenizou o Pastor Roberto por trazer esse tema à tribuna e também opinou sobre a ideologia de gênero.

“O que está por traz de tudo isso é o interesse. Tem políticos que apenas aprovam esse segmento em busca de voto. Mas esse não é o meu problema. Não votei favorável à ideologia de gênero porque não concordo. Não sou homofóbico, mas votei consciente e com convicção”, declarou.

Antes de encerrar o discurso, o Pastor Roberto Morais enfatizou que não quer ganhar e nem perder nessa suposta guerra. Apenas garantir o direito de cada um exercer o seu papel dentro da sociedade. “Se a discussão for por perseguição ou homofobia, não haverá progresso. São mais de 100 milhões de cristãos assassinados por ano. E ninguém sai em defesa desse povo. Ninguém quer discutir isso”, lamentou.

Da assessoria parlamentar

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