Mera especulação

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Como é do conhecimento do povo sergipano o governador Jackson Barreto (MDB) foi contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff pela sua formação democrática, luta contra a ditadura militar, pela redemocratização do país e as Diretas Já. O impeachment se consumou em agosto de 2016, assumindo a presidência da República o vice Michel Temer.

Por ser do mesmo partido de JB, Temer não digeriu bem a posição do governador de Sergipe por ver como um gesto contrário a que assumisse a presidência. Isso foi o suficiente para que no momento de grave crise econômica e diminuição no repasse do Fundo de Participação dos Estados (FPE), o Estado de Sergipe agravasse ainda mais a situação financeira.

Foi nesse momento de agravamento da crise econômica e do temor de uma crise hídrica que logo após o carnaval de 2017, quando o deputado federal André Moura (PSC) já tinha assumido a liderança do governo no Congresso, que o governador o procurou. JB foi pedir apoio para liberação de recursos para o andamento do projeto Canal Xingó, que não saiu do papel há mais de 10 anos, assim como da retomada das obras da BR – 101 e da reforma do Aeroporto Santana Maria.

De forma republicana, Jackson e André, adversários políticos, se encontraram e conversaram civilizadamente em nome dos interesses de Sergipe. André, que mostrou grandeza política, e JB, que demonstrou humildade, voltaram a se encontrar várias vezes para discutir e viabilizar os pleitos para Sergipe.

Jackson viu em André, que é um político forte do governo Temer, a forma de conseguir recursos para Sergipe por não haver uma boa vontade do presidente para com ele. E Moura viu em JB uma maneira de ajudar Sergipe e se cacifar eleitoralmente para um projeto maior em 2018, que pode ser o governo do Estado ou o Senado.

O governador abriu as portas para que prefeitos da oposição seguissem o mesmo caminho. Edvaldo Nogueira (PCdoB-Aracaju) foi um dos primeiros a fazer isso e hoje é um dos mais beneficiados com a liberação de recursos da União para a Prefeitura de Aracaju.

Quase toda semana André Moura está na Prefeitura de Aracaju assinando, junto com o prefeito, convênios e dando ordem de serviços para dezenas de obras de infraestrutura e mobilidade urbana. Na semana passada trouxe até o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, a capital para assinatura do convênio de mobilidade urbana na ordem de R$ 140 milhões. Chegou a reunir 64 prefeitos sedentos de também conseguir algum recurso do Ministério das Cidades para seus municípios.

A boa relação política de Jackson Barreto, Edvaldo Nogueira e André Moura, as fotos deles sorridentes e se abraçando em eventos e solenidades, vem dando motivos para especulações. Não falta quem diga que existe um acordo branco para as eleições deste ano, com JB e Andre disputando o Senado, com um apoiando o outro, já que são duas vagas para  senador no pleito deste ano.

A primeira especulação foi que André Moura se filiaria ao MDB e seria o candidato a governador com o apoio de Jackson e do seu agrupamento político.

As pessoas não estão entendendo de que aquela política do quanto pior melhor está ultrapassada, que adversários políticos têm de ser inimigos de morte. E que da forma republicana como André, Jackson e Edvaldo estão agindo é bom para todo mundo.

André se cacifa eleitoralmente por vir conseguindo a liberação de muitos recursos para Sergipe em época de vacas magras, principalmente Aracaju onde não tem grande densidade eleitoral. JB e Edvaldo estão conseguindo recursos para obras, diminuindo o desgaste da gestão. E o povo ganha com os serviços executados.

Diferente do que muitos pensam, o que existe é um jogo de interesse de todos os lados, mas que na campanha eleitoral cada um vai para o seu lado e marchará com o seu agrupamento político. Até porque os aliados, e, muito menos o povo, não aceitarão qualquer acórdão, seja branco, azul, laranja, roxo ou de qualquer outra cor.

A história política de Sergipe já mostrou isso em 1998,

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