Fim das especulações

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A participação ativa do ex-governador Jackson Barreto (MDB) na festa de lançamento da candidatura de Lula a presidente da República, na noite de sexta-feira, em Contagem (MG), deve colocar fim à desconfiança do presidente estadual do PT, Rogério Carvalho, na relação com o emedebista. Os dois pretendem disputar as vagas para o Senado na mesma coligação, num momento em que o eleitorado se mostra aleatório a todo o processo eleitoral.

Nos últimos dias, a tensão entre aliados de JB e Rogério chegaram ao ápice, animando militantes da corrente Articulação de Esquerda, da deputada Ana Lúcia, para a apresentação de candidaturas próprias. A polêmica tem a ver com as notícias de que JB teria uma aliança branca com o deputado federal André Moura (PSC), também candidato ao Senado, para que um seja o segundo voto do outro. Jackson, por toda a sua trajetória política desde a militância contra a ditadura nas décadas de 1960/1970 e a sua intensa presença na vida política do Estado, tende a ser o segundo voto do eleitor em qualquer situação.

JB participou do encontro em Contagem ao lado de petistas e lideranças de todo o País, inclusive Rogério, Márcio Macêdo e o deputado federal João Daniel. Atendeu a convite o governador de Minas, Fernando Pimentel, e teve direito a um assento à mesa.

Após a reunião, JB postou nas redes sociais a satisfação com o encontro e lembrou que em 1994, por conta da grandiosidade da sua campanha para o governo do Estado – quando venceu no primeiro turno, mas acabou derrotado no segundo por Albano Franco –, os dois candidatos ao Senado do seu bloco foram eleitos. No caso, Antonio Carlos Valadares (PSB), agora em terceiro mandato, e o petista José Eduardo Dutra (falecido), derrotando os veteranos Lourival Baptista e José Carlos Teixeira.

A crise entre JB e Rogério acabou estimulando que grupos contrários à aliança fizessem uma intensa campanha nas redes sociais contra o ex-governador, e o próprio presidente do PT chegou a admitir que o partido poderia rever a aliança firmada desde a primeira eleição de Marcelo Déda para o governo do Estado, em 2006. Lideranças da corrente do próprio Rogério, no entanto, trataram de amenizar a situação, dizendo que a questão era apenas pontual. A assessoria de marketing da campanha do governador Belivaldo Chagas (PSD), que deve centralizar também a campanha dos senadores, chegou a divulgar um vídeo em que os dois assinavam críticas ao governo Temer pelo elevado preço do gás de cozinha, mas acabou rechaçado pelos dois lados.

Depois do encontro em Minas, no entanto, JB e Rogério divulgaram fotos juntos e Jackson postou a seguinte mensagem nas redes sociais: “Agradecendo ao convite do governador mineiro Fernando Pimentel e do amigo Márcio Macedo, fiz questão de estar presente aqui no lançamento da pré-candidatura do companheiro Lula. Sei da importância do ex-presidente para a história deste país e de Sergipe. O povo sergipano tem saudades da época de Lula e Dilma e sabe o quanto eles ajudaram o nosso agrupamento político, desde Marcelo Déda, no desenvolvimento do nosso Estado. Desde o início eu fui contrário ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff e só Deus sabe o quanto isso me custou, o quanto sofri de retaliação na gestão pública no governo Temer, que acaba é retaliando todos os sergipanos. Eles criaram todas as dificuldades para o Estado receber investimentos, inclusive quanto ao empréstimo para recuperar as rodovias – Finisa, que Temer negou. Tive a honra de ser chamado à mesa e estar ao lado de várias lideranças políticas do país.”.

A ligação de JB com Lula deve ser o referencial para que PT e MDB sigam unidos em Sergipe, mesmo que os interesses possam até serem divergentes.

JB participou do encontro em Contagem ao lado de petistas e lideranças de todo o País, inclusive Rogério, Márcio Macêdo e o deputado federal João Daniel. Atendeu a convite o governador de Minas, Fernando Pimentel, e teve direito a um assento à mesa

Por Gilvan Manoel

 

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