Enfrentamento ao feminicídio é debatido em Audiência Pública

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Na semana em que celebrou o Dia Internacional pela para a Eliminação da Violência contra a Mulher, a Câmara Municipal de Aracaju (CMA) foi palco de uma Audiência Pública,  promovida pela vereadora Emília Corrêa (Patriota) para debater casos de feminicídio e desenvolver ações de combate à violência contra a mulher. O evento contou com a presença de autoridades e técnicas especializadas no assunto, atuantes nesse combate.

Só em Sergipe, de acordo com a pesquisa mais recente realizada pelo 13º Anuário de Segurança Pública, através do  Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no final do primeiro semestre deste ano, apontam o maior crescimento da taxa de feminicídios por 100 mil mulheres no comparativo de 2017/ 2018.
Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a taxa subiu de 0,5 para 1,4, um aumento de 163,9%. No ano de 2017, foram seis casos e 16 em 2018. Já em 2019, foram registrados 12 crimes.

Em virtude do crescimento alarmante dos casos, em todo país, a vereadora e autora da propositura Emília Corrêa, acredita que debater sobre a temática contribui com a diminuição dessa incidência. “Quando as mulheres tiverem a consciência que não são objetos, que uma deve buscar a outra e órgãos que ajudem nesse sentido, as coisas começaram a diminuir. Tratar dessa temática, por exemplo, através de pessoas que conhecem as políticas públicas, vivenciam e entendem como está sendo hoje, certamente, é uma maneira de contribuir positivamente para diminuir com essa incidência. São enormes os desafios a serem superados pelos crimes de ódio cometidos contra as mulheres, e cada uma de nós, devemos fazer nossa parte”, declarou.
Para Rosa Geane, Juíza e coordenadora da Mulher do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE), o primeiro passo para combater o Feminicídio é falar sobre ele. “Estamos aqui, hoje, tocando em questões que são difíceis de falar. Não podemos desviar o olhar da violência doméstica e familiar contra a mulher. Sempre que observarmos uma mulher nessa situação, não podemos fingir que não estamos vendo. Sempre há alguma coisa que possamos fazer. Quando a dor é apenas dor, ela não é nada. Precisamos transformar nossas dores em ações”, afirmou.

Já de acordo a promotora de Justiça e diretora do Centro de Apoio Operacional dos Direitos da Mulher (MP/SE), Euza Missano, a abordagem da violência doméstica envolve várias facetas, vários ângulos e é preciso criar meios para sair deles. “Quebrar o medo é essencial, fundamental. Precisamos dizer a essa mulher que ela deve denunciar, mas precisamos, também, dizer que nós temos condição de acolher de forma real, não de maneira fictícia ou faz de conta. Dar condição de sobrevivência a vítima, empoderando-as, e inserindo-as no mercado de trabalho a fim de que ela possa recuperar a autonomia e romper o ciclo da violência, porque, na maioria das vezes, essas mulheres dependem economicamente de seus parceiros, faz toda a diferença”, destacou.

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