Elucubrações golpistas

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A mudança na cúpula da Secretaria da Segurança Pública provocou uma série de elucubrações golpistas, como se o governador Jackson Barreto estivesse cedendo a pressões de grupos políticos e empresariais para impedir o avanço de investigações na área de desvio de recursos públicos, pelo Deotap- Departamento de Combate aos Crimes Tributários e Administrativos. A alteração foi feita porque o governador estava insatisfeito com a postura do delegado geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira, e o então secretário João Batista preferiu entregar também o cargo.

O governador tem o direito constitucional de livre nomeação e exoneração de todos os ocupantes de cargos em comissão, inclusive os secretários de Estado e dirigentes de órgãos, da mesma forma que o presidente da República e prefeitos eleitos.

O deputado estadual Gilmar Carvalho, que comanda programas populares nas emissoras Mix FM e TV Atalaia, sugere que Alessandro Vieira perdeu o cargo de delegado-geral da Polícia Civil quando declarou, em entrevistas à imprensa, que enquanto estivesse na cúpula da SSP não permitiria o afastamento da delegada Danielle Garcia da Coordenação do Deotap. Poderia até ser, já que a declaração soaria como arrogante, como se o delegado-geral se posicionasse acima do secretário e do próprio governador.

Nos bastidores, comenta-se que a exoneração saiu depois que o delegado geral, sem qualquer discussão prévia no governo, incorporou uma proposta da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) equiparando salários e condições dos delegados a carreira de procurador do Estado. A proposta estabelecia, entre outros pontos, eleição direta para a função de delegado geral, com o envio de lista tríplice para que o governador fizesse a escolha, além de mandato de dois anos. Para os demais delegados, ficaria impossibilitada a remoção de uma delegacia para outra também pelo mesmo período.

Danielle Garcia foi transformada numa espécie de “superdelegada” e a própria Adepol tratou de alimentar objetivos políticos nas ações midiáticas executadas pela Deotap, ao sugerir que a delegada seja candidata a deputada estadual nas próximas eleições.

No caso da chamada “Operação Babel”, que apurou supostas irregularidades na coleta de lixo de Aracaju, surpreende a rapidez com que a Deotap encaminhou o inquérito policial à justiça, num fato tão complexo, quando outras operações bem mais simples, como a “Indenizar-se”, que apura desvio de recursos no uso das verbas indenizatórias por vereadores da Câmara Municipal de Aracaju, se arrastam há mais de um ano. Além da própria “Antidesmonte”, executada em parceria com o Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas, para apurar o desvio de recursos e saques na boca do caixa por prefeitos e presidentes de câmaras de vereadores no período de transição, no ano passado, cujos inquéritos ainda são mantidos em sigilo, apesar da grande equipe lotada na Deotap.

Na última quarta-feira, durante a sua posse, o novo secretário da Segurança, João Eloy, prometeu preservar todas as investigações em curso, mas dar prioridade a todo e qualquer tipo de crime. “A preocupação nossa é dar proteção à sociedade, é de combater a criminalidade. Seja ela de colarinho branco, de tráfico de droga, assalto, homicídio, qualquer tipo de crime, a gente tem que combater”, assegurou João Eloy, garantindo que todos os departamentos e delegacias receberão o mesmo acompanhamento.

Os jornalistas foram insistentes sobre a permanência de Danielle. Eloy garantiu que a delegada permanecerá no cargo e não haverá nenhuma interferência política nos trabalhos de investigação, mas terá o mesmo tratamento dado às outras delegacias da Polícia Civil, que serão orientadas a manter as investigações em sigilo até suas respectivas conclusões e entregas à Justiça.

“Não vou mudar a delegada Danielle, que vai continuar fazendo o trabalho dela. A orientação não é dizer pra esconder inquérito. Eu não vim aqui pra passar a mão na cabeça de bandido. Não é pra esconder nada, mas uma preocupação minha é só divulgar um inquérito depois dele concluído e encaminhado à Justiça, com as pessoas indiciadas ou não. Em minha gestão, ninguém vai ser execrado antes da conclusão de um inquérito”, garantiu o secretário, ao ressaltar que a SSP “não vive em função só do Deotap”.

As teorias conspiratórias continuam e já está marcado até um ato em defesa da permanência de Danielle Garcia na função. Parece ou não uma manifestação política?

Por Gilvan Manoel

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