Chove em Aracaju quase o tripulo do esperado para Julho

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Aracaju atingiu 231 milímetros de chuva, em 72 horas, o maior volume de água pluvial de todo o país no período e quase o triplo do esperado para todo o mês de julho na capital. Diante deste cenário, a Prefeitura de Aracaju tem agido de forma intensa, envolvendo diversos órgãos e secretarias desde segunda-feira (8) numa força tarefa que atua diuturnamente sem medir esforços em meio à situação adversa. 
Durante toda esta quinta-feira, 11, as localidades que demandaram maior atenção por parte da Prefeitura foram o Largo da Aparecida e os conjuntos Sol Nascente, Santa Lúcia e JK, no bairro Jabotiana. Por lá, a população sentiu os fortes efeitos da cheia do Rio Poxim Mirim e equipes das secretarias municipais da Defesa Social e Cidadania (Semdec), Assistência Social, Saúde (SMS), Defesa Civil de Aracaju, Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), e as empresas municipais de Serviços Urbanos (Emsurb) e de Obras e Urbanização (Emurb) aturam de forma integrada.

As diretrizes de intensificação dos trabalhos foram determinadas no início da manhã desta quinta pelo prefeito Edvaldo Nogueira, que voltou a reunir o Comitê de Gerenciamento de Crise para reforçar as estratégias de atuação nos pontos mais críticos da cidade.

Devido às ações preventivas realizadas pela gestão municipal durante o ano e intensificadas nos dias de chuva mais intensa, locais como Almirante Tamandaré, Canal do Santa Maria, regiões dos bairros 13 de Julho e Jardins, além do canal da avenida Airton Teles, por exemplo, não sofreram com os alagamentos.

Na região da avenida Euclides Figueiredo, a SMTT voltou a interromper o trânsito para que a fosse realizada a sucção da água com a bomba. Entretanto, durante o dia, a situação se normalizou na localidade e o trânsito foi liberado.

Ao todo, a Defesa Civil recebeu 31 solicitações através do número emergencial 199.  O maior número de chamados foi oriundo do bairro Jabotiana, em função do transbordamento do Rio Poxim.

A Defesa Civil chama a atenção da população para que evite transitar pelos pontos de alagamento ou inundação e que se abriguem em local seguro até que a situação volte a normalidade. Em situação de emergência ligar para o número 199, que funciona 24h por dia.

Famílias do Largo da Aparecida

Na noite de quarta (10), equipes de diversas frentes de atuação da Assistência Social de Aracaju começaram a retirar as famílias das casas que foram invadidas pelas águas no Largo da Aparecida. Hoje, a Secretaria já reuniu 61 famílias, cerca de 180 pessoas, no Cras Madre Tereza de Calcutá e na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) José Airton de Andrade.

Segundo o secretário municipal da Assistência Social, Antônio Bittencourt, estão sendo adotadas todas as medidas cabíveis para atender às necessidades desses moradores. “Os assistidos estão recebendo alimentação, colchões, produtos de limpeza e demais benefícios eventuais para garantir a melhor estrutura possível de acolhimento até que a situação no Largo se normalize”.

A SMS destinou uma equipe médica para avaliar a situação de saúde de cada morador da região e o cenário, até o momento, está sob controle. Um médico e um enfermeiro foram disponibilizados para atender as famílias que estão sendo acolhidas no Cras e na Emef. A Saúde está dando uma atenção especial aos idosos, hipertensos, crianças e gestantes, já que eles fazem parte de um grupo mais vulnerável a situações como essa.

A Semdec, por meio da Defesa Civil, tem atuado na remoção das famílias e no atendimento nas áreas de risco. “Reunimos vários agentes para prestar atendimento aos moradores dessa região, inclusive, contamos com a parceria do Corpo de Bombeiros de Sergipe, que atuou com um bote para retirar as pessoas das áreas de risco e encaminhá-las aos locais disponibilizados pela Prefeitura”, afirmou o secretário municipal da Defesa Social e Cidadania, Luis Fernando Almeida.

Efeitos do Rio Poxim

Assim como no Largo da Aparecida, os conjuntos Sol Nascente e JK, também no Jabotiana, e também o Santa Lúcia sofreram os efeitos da cheia do Rio Poxim. “O rio Poxim-Açú está abarrado, portanto, é controlado e está com 95% da sua capacidade. No entanto, o Poxim Mirim passa por fora da barragem e recebe água, por exemplo, de São Cristóvão, e dos outros afluentes, e está muito cheio. Com isso, o canal recebe a água dos prédios da região e também o refluxo da maré. Desta forma, a área sofre com a enchente, o que, infelizmente, impactou os moradores”, explicou Luis Fernando Almeida.

O secretário esclareceu, ainda, sobre situação da barragem do rio Poxim, como afirma mensagem veiculada em grupos de Whatsapp, na manhã desta quinta. De acordo com as informações da Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso, a barragem não opera com sistema de comportas. Para essa barragem é utilizado sistema com válvulas e a água está sendo represada normalmente.

“Precisamos desmistificar notícias que venham a tencionar ainda mais a população. De fato, a situação é preocupante porque famílias precisaram sair de suas casas, mas, infelizmente, os efeitos foram causados por um fenômeno da natureza que não temos controle. No entanto, todas as medidas estão sendo tomadas para mitigar os problemas”, destacou o secretário.

Nas primeiras horas desta quinta, equipes da SMTT concentraram-se na região do bairro Jabotiana e na avenida Euclides Figueiredo, áreas mais afetadas pelas fortes chuvas. Foram providenciados, excepcionalmente, ônibus especiais para o conjunto Santa Lúcia para fazer, gratuitamente, a travessia dos cidadãos a partir da ponte do conjunto, até a pista que dá acesso ao Aloque, retornando ao ponto inicial. O objetivo é auxiliar a mobilidade da população da região do Jabotiana.

“Mais de 40 agentes atuam nessa região, inclusive, por iniciativa deles, carros da SMTT ajudaram populares a atravessar a parte alagada. Os ônibus que disponibilizamos não saíram de suas rotas, são veículo extras, com a finalidade exclusiva de auxiliar os moradores”, destaca o superintende de Transporte e Trânsito, Renato Telles.

Cerca de 100 profissionais da Emurb se revezam entre as ações de manutenção, limpeza e desobstrução das microdrenagem da cidade, priorizando os locais identificados com algum risco de alagamento. “No Jabotiana, atuamos articuladamente com outras secretarias para, de forma ordenada, barrar o avanço das águas e atender às pessoas de alguma forma prejudicadas por este fenômeno natural”, enfatiza o presidente da empresa municipal, Sérgio Ferrari.

A ação de contenção também contou com a Emsurb. “Estamos trabalhando de maneira conjunta por toda a cidade e damos atenção especial à região dos bairros Jabotiana e Santa Lúcia. Nosso objetivo, agora, é entender o porquê essa região se comporta dessa maneira, ao contrário do Pantanal, por exemplo, que fica do outro lado do Rio Poxim e não registrou a mesma situação. Demos início a um estudo e logo em breve teremos o resultado para melhor atuar”, frisou o presidente da Emsurb, Luiz Roberto Dantas.

Campanha para doação

Para prestar auxílio às famílias do Largo da Aparecida, acolhidas no Cras e na Emef, a Prefeitura de Aracaju iniciou uma campanha solidária para arrecadar roupas e agasalhos para doação a famílias que estão em situação de acolhimento em decorrência das fortes chuvas. As peças devem estar limpas e em boas condições de uso. A população também pode doar cobertores, artigos de cama, mesa e banho, calçados e meias.

Para aqueles que desejarem colaborar, o local para entrega das peças de roupas é a Estação Cidadania, que fica localizada na rua Pacatuba, 64, no Centro. Uma equipe da Assistência Social está no local para receber os itens, de segunda à sexta-feira, no período das 7h30 às 17h.

Fonte/PMA

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