Agora as prioridades são outras

0

O ainda presidente Michel Temer sabia do grande risco de não aprovar a reforma Trabalhista no Senado e a reforma Previdenciária no Congresso Nacional. Por conta disso ele e a sua tropa de choque começaram a trabalhar pesado para conseguir aprovar as reformas.

A primeira ação foi de retaliação. Com a aprovação na Câmara dos Deputados da reforma Trabalhista por apenas 296 votos favoráveis e haver uma necessidade de 308 votos na reforma da Previdência, Temer mandou exonerar todos os cargos federais nos estados indicados pelos aliados deputados federais que votaram contrários a reforma Trabalhista.

De Sergipe perderam as indicações os deputados Valadares Filho (PSB), Jony Marcos (PRB) e Adelson Barreto (PR). Era um aviso do que podia acontecer com os senadores que votassem contra as reformas Trabalhista e da Previdência. No caso de Sergipe, um alerta para os senadores Antônio Carlos Valadares (PSB), Eduardo Amorim (PSC) e Maria do Carmo Alves (DEM).

O governo Temer estava barganhando a devolução dos cargos dos deputados que votaram contra a reforma Trabalhista para que votasse favorável a reforma Previdenciária e  começou uma pressão forte sobre os deputados federais do PMDB para que fossem a favor da reforma Previdenciária. Até ameaçou de expulsar do partido aqueles que não fossem a favor da reforma da Previdência, atingindo diretamente o deputado federal peemedebista Fábio Reis (SE), que não votou na reforma Trabalhista.

O próprio presidente Temer passou a se reunir com a bancada de senadores dos partidos aliados pedindo e pressionando pela aprovação das reformas. Na segunda se reuniu com os senadores do PSDB, estando presente Eduardo Amorim. O parlamentar sergipano já declarou publicamente que votará contrário as reformas Trabalhista e Previdenciária. Fez o mesmo o senador Valadares (PSB).

Diante deste cenário de dificuldade para aprovar as reformas, tão nocivas ao trabalhador brasileiro, o presidente resolveu apelar para os prefeitos e governadores. Durante a solenidade de abertura da 20ª Marcha dos Prefeitos a Brasília, aberta na última terça-feira, assinou a Medida Provisória 778/17, que prevê parcelamento da dívida previdenciária dos estados e municípios e mandou imediatamente para tramitação no Congresso Nacional.

Na quarta-feira Temer voltou a se reunir com governadores para tratar de vários assuntos, dentre eles, a reforma da Previdência. Chegou a pedir apoio para que interferissem junto a bancada federal.

No final da tarde de quarta-feira, quando estava reunido apenas com alguns governadores do Nordeste, inclusive Jackson Barreto (PMDB), Temer ficou sem chão e saiu à francesa quando foi informado da bomba detonada pelos empresários da JBS, que deve tirá-lo do governo.

Em delação à Procuradoria-Geral da República (PGR), em março deste ano, Joesley Batista mostrou gravação do presidente dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.

Agora o povo brasileiro, estarrecido, mas não surpreso, aguarda pela renúncia ou o impeachment do presidente golpista. Ele, que só tem 4% de aceitação popular, não terá como se sustentar no Poder pela forte tendência de perder o apoio no Congresso Nacional, pelo aprofundamento da crise econômica e instabilidade política, além da falta de apoio do povo brasileiro.

O lado bom de toda essa crise política é que deve sair da pauta as reformas Trabalhista e Previdenciária, com 80% de rejeição popular, que o quase finado Temer estabeleceu como prioridade do seu governo e que seria a desgraça do trabalhador brasileiro, sempre obrigado a pagar a conta da grande corrupção no país.

Na pauta do Congresso Nacional deve estar agora: Diretas Já, pois o Congresso repleto de delatados, investigados, denunciados e réus não tem como eleger em um mês um novo presidente; e Reforma Política, que realmente mexa com as estruturas de representação.

O país tem pressa. Fora Temer! É só empurrar que ele cai…

Deixe Uma Resposta